Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

"E o burro sou eu?"

 

A expressão é conhecida de todos nós (pelo menos assim creio), ou não tivesse sido proferida por Luiz Felipe Scolari, o mister, o sargentão, o salvador da pátria portuguesa... Sai Scolari para terras de sua majestade, vem Carlos Queirós das terras da mesma! Dá-se um interesse incomensurável a algo que só será convenientemente interessante aquando do próximo mundial de futebol. Mas não é sobre futebol que venho hoje aqui escrever.


O que me traz hoje aqui é mesmo a expressão que Scolari eternizou, que a meu ver irá constar nos anais da literatura portuguesa. Isso mesmo! Até porque com o novo acordo ortográfico não haverá grande distinção entre a escrita brasileira e a portuguesa. Não se trata da maneira como pronunciamos as palavras. Trata-se sim de marcar a literatura, a cultura e a tradição de um país. Nem é necessário tanto; trata-se de marcar um país e pronto! Há, obviamente, divergência de opiniões e, na minha opinião, todas devem ser respeitadas. No meu caso, sem querer abrir hostilidades que justifiquem a minha opinião para com os apoiantes do acordo, eu sou contra. Mas ainda bem que há pareceres diferentes, caso contrário a inércia tomava conta de nós. Por exemplo, as editoras brasileiras devem dar pulos de alegria... Agora sim, vão conseguir "injectar" em Portugal quantidades massivas da sua literatura. Isto tem o reverso da medalha, pois prefiro, inequivocamente, ler uma boa obra de Jorge Amado, do que ler o inópio livro de Zezé Camarinha "O último macho man português", o que faz com que me contradiga. Mas a minha opinião é fincada. Não apoio o acordo ortográfico. Para mim é um decepção. Ou deveria escrever deceção?


Que chatice... Nem era sobre isto que queria escrever!!! Estava a falar da expressão que Scolari proferiu. Esta expressão vem de encontro à situação actual do nosso país, Portugal. No decorrer da minha habitual consulta diária aos sites de diversos jornais nacionais, li uma notícia que me levou a pensar nessa expressão do sargentão. E cheguei à conclusão que ele tem razão. O burro não é ele. Sou eu! Ou nós, os portugueses (sem querer ofender ninguém).


Passemos à notícia propriamente dita. Creio ser de conhecimento geral que a TAP criou um plano de emergência para fazer frente ao aumento disparatado dos combustíveis. Uma das medidas passa por reduzir a frequência de certos voos com destinos internacionais. Em vez de serem feitos diariamente, passarão, no final do Verão, a ser feitos apenas algumas vezes por semana. Até aqui tudo bem. É uma medida lógica e sensata. Mas eis que entra em cena Fernando Pinto! Este senhor brasileiro, presidente da TAP, aufere anualmente da módica quantia de 1,2milhões de euros. Até aqui nada de anormal, ou não estivéssemos nós habituados a tão avultados valores. Não é que ganhemos bem, mas o depauperamento imposto pelo nosso governo não nos deixa grande hipóteses económicas, a não ser aquilo que ouvimos: uns milhões de euros para a construção do TGV, outros tantos milhões para o túnel do marquês, mais uns milhões para isto e uns milhões para aquilo... E assim vamo-nos alimentando dos míseros ordenados que nos são pagos, enquanto os capitalistas enchem os bolsos com estes jogos de black jack, qual Casino Estoril despreocupado com a inerte "
Operação Furacão".

Mas como ia dizendo,nada de anormal com o rendimento anual de Fernando Pinto, excepto o desmesurado aumento que esse ordenado sofreu. É que o ordenado deste senhor quadriplicou em 5 anos, passando de 190 mil euros anuais, para os tais 1,2 milhões de euros (valor que inclui qualquer coisa como 420 mil euros de prémio por ter atingido os objectivos de gestão definidos pelo Governo para 2007.) Para ver a notícia clique aqui.


Ora bem... Eu, ganho um ordenado nada abastado; miserável, melhor dizendo. Tento conciliar o trabalho com a universidade (que provavelmente me dará um óptimo emprego como elemento estatístico no índice de desemprego em Portugal), o que faz com que muitas vezes pareça um morto-vivo devido às poucas horas de sono de que disponho. Participei na construção do terminal para voos domésticos do aeroporto de Lisboa, também conhecido como Terminal 2, onde tive dias em que trabalhei 13 ou 14 horas. Além dos inúmeros colaboradores, funcionários ou trabalhadores que lá estavam, ainda tínhamos que levar com as visitas de VIP's que por lá apareciam, assim como ordens de engenheiros e outros tipos de chefia que por lá andava. E no fim recebemos uma remuneração de merda para que aqueles que nem sequer suaram possam ter a sua gratificação no final do mês. E falar em gratificação é quase que uma benesse em comparação à quantia que realmente auferem mensalmente.


Quero deixar claro que não sou xenófobo. Nada disso! Felizmente tenho uns pais que sempre me incutiram e deram uma boa educação e valores que hoje em dia considero como adquiridos. Mas a verdade é que ao ouvir Luiz Felipe Scolari a fazer a pergunta retórica "E o burro sou eu?" chego a uma conclusão. O burro não é o brasileiro Luiz Felipe Scolari nem o brasileiro Fernando Pinto. Os burros somos nós que trabalhamos que nem uns cães, sem reclamar, para encher o cu a esses pedantes capitalistas - portugueses ou não - presidentes, ministros, administradores e sabe-se lá mais quem!


A obra "
A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera encaixa bem neste clima petulante que existe entre as altas figuras da nossa sociedade, pois além do "romance" entre tais personagens, a tensão política em Portugal (que no caso do livro refere Praga), vai-se fazendo sentir. E depois ainda há quem escreva sobre "O menino de ouro do PS". Até o "Homem de Lata" do Feiticeiro de Oz fazia melhor figura! Menino de ouro... Melhores dias virão!


E mais não digo... Olé!!!

Hoje estou...: Inspirado!
Publicado por Antrópico às 16:57
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